
Eu sempre prometi que escreveria alguma coisa sobre Tucumã.
Nada muito pessoal, supunha, só um relato das excentricidades de seus moradores e de suas agradáveis ruas desertas.
Acima de tudo, eu tenho que admitir que ainda gosto muito daquele lugar.
Quem me conhece um pouco, sabe o quanto de grandeza depositei em uma quase “mítica” Tucumã, cidade paraense que vivi pouco menos de 5 anos e que até hoje, parece ter sido muito mais do que todo o tempo que passei em todos os lugares que já vivi até hoje.
Parte disso atribuo aos dias em que passei em suas ruas sem asfalto, com uma bola na mão, procurando montar um time para disputar algum campeonato nos vários campos com condições horríveis que tínhamos por lá. E ser o dono da bola, me dava no mínimo o direito de ser o técnico do time.
Por muito tempo eu vivi essa vida de jogador mirim de futebol, que sonhava em ser jogador do América-MG. Isso porque por aquelas bandas, o América-MG, era tido como o clube mais fácil de se passar pelas tão temidas peneiras. Logo, com um pouquinho mais de técnica, eu poderia ser um bom meia, quem sabe um atacante ou em último caso, zagueiro. A posição não importava muito naquela época, estando dentro de campo, já era o suficiente. Antes de abandonar o sonho, eu treinei muito, jogando todos os dias e fazendo esforços absurdos para adquirir a forma física necessária para realizar aquele que era até então, o meu maior sonho. O que posso dizer é que aquela cidade tinha grandes jogadores. Era incrível como eu estava longe de chegar aos pés dos melhores. Mas se eles não iam fazer o teste comigo, era prova de que minhas chances continuariam grandes. Até porque, eu imaginava que no longínquo Estado de Minas Gerais, não deveria existir jogadores tão bons quanto os de Tucumã. E eu obviamente fazia parte dos bons. Ou deduzia que sim.
O último ano que vivi por lá, eu dividi com aqueles que acreditavam no meu sonho e se dedicavam com afinco a fazer com que eu conseguisse realizá-lo. Usei o salário que recebia de um laboratório de análises clínicas e comprei um jogo de camisas e calções para disputar o campeonato que me prepararia de vez para a “peneira” do Coelho.
Infelizmente eu não consigo me lembrar do nome de todos os jogadores que fazia parte do meu time, mas tenho guardado o nome dos meus amigos que faziam parte daquele time. Além do preparo psicológico, tínhamos como principal objetivo, ganhar aquele importante campeonato. E se não me falha a memória, nosso time era o único que tinha um jogo de camisa e calções. Os demais, no máximo, camisas das mesmas cores, quando não usavam o método tradicional de “com” e “sem” camisa para distingui-los. Como não poderia deixar de ser, fizemos questão de contratar um ou dois jogadores mais experientes que fossem capazes de segurar o jogo e saber dar aquela catimba necessária em determinados momentos do jogo. Os reforços, vieram da Vila dos Apertadinhos, uma espécie de La Boca de Tucumã, um bairro que respirava o futebol, tal qual o bairro argentino. Não ganharam nada mais do que o direito de vestir aquelas camisas novinhas, mas a vestiram com toda a honra do mundo.
O campeonato era todo disputado em um único dia. Começava geralmente às 9 a manhã e só haveria de terminar às 6 da tarde. Uma verdadeira maratona para os que conseguissem chegar à grande final. Obviamente a duração da partida não atingia seus tradicionais 90 minutos, mas tinha a duração necessária para que os melhores passassem adiante.
Me lembro que disputamos umas quatro partidas até chegarmos à grande final, que não poderia ser diferente, trazia a grande força de Tucumã: A Vila dos Apertadinhos.
Não me lembro bem de alguns detalhes, exceto que comecei jogando e que tínhamos um técnico que encontramos lá na hora e que começou a passar orientações para os jogadores. Tomei minha posição em campo e logo no começo, depois de uma belíssima triangulação do nosso meio campo, a rede do adversário foi estufada, ou melhor, o espaço do gol, já que não tínhamos redes nos gols. O melhor de se marcar o gol é que a demora em buscar a bola no meio do pasto fazia com que o relógio trabalhasse a nosso favor. Apesar da vantagem, sabíamos que era necessário manter a atenção no jogo e não desgrudar do rápido ataque deles. Definitivamente não podíamos acreditar que estávamos enfrentando o adversário mais forte daquele campeonato quando no finalzinho do primeiro tempo, nosso time conseguiu o 2 a 0. Fomos para o rápido intervalo com aquele título na cabeça. Não era imbatível o time que todos temiam, não éramos piores por termos conseguido a nossa classificação de maneira dramática, com gol no último minuto e antes da semi-final através de uma disputa de penalidades. Não importava como tínhamos chegado até ali, fato é que estávamos ganhando e agora faltava pouco para sermos os campeões. Mas ainda faltava um tempo, e não podíamos perder a concentração. Pra isso, bastava jogar com a mesma disposição, com a mesma garra. Além do mais, os jogadores que havíamos buscado, conheciam o adversário como ninguém. Já haviam jogado juntos por diversas vezes, era fácil saber as jogadas principais e as características individuais de cada jogador. Voltamos para o segundo tempo dispostos a liquidar o jogo e não fosse o goleiro deles, teríamos feito isso no primeiro minuto de jogo. Mas o que dava certo no primeiro tempo, começava a não funcionar no segundo. A nossa segunda chance de gol parou na trave, e a essa altura eu assistia tudo de fora, havia sido substituído no intervalo e agora experimentava a emoção de sair vencendo qualquer que fosse o resultado final do jogo. Afinal, eu havia deixado o campo com um resultado favorável. Se nosso time vencesse, eu teria colaborado. Se perdesse, eu não seria o culpado. Algo bem próximo do que ousaria classificar de covardia hoje em dia. Mas, eu era só um garoto que almejava ser jogador do América-MG e estava prestes a ganhar meu primeiro título...
Nada muito pessoal, supunha, só um relato das excentricidades de seus moradores e de suas agradáveis ruas desertas.
Acima de tudo, eu tenho que admitir que ainda gosto muito daquele lugar.
Quem me conhece um pouco, sabe o quanto de grandeza depositei em uma quase “mítica” Tucumã, cidade paraense que vivi pouco menos de 5 anos e que até hoje, parece ter sido muito mais do que todo o tempo que passei em todos os lugares que já vivi até hoje.
Parte disso atribuo aos dias em que passei em suas ruas sem asfalto, com uma bola na mão, procurando montar um time para disputar algum campeonato nos vários campos com condições horríveis que tínhamos por lá. E ser o dono da bola, me dava no mínimo o direito de ser o técnico do time.
Por muito tempo eu vivi essa vida de jogador mirim de futebol, que sonhava em ser jogador do América-MG. Isso porque por aquelas bandas, o América-MG, era tido como o clube mais fácil de se passar pelas tão temidas peneiras. Logo, com um pouquinho mais de técnica, eu poderia ser um bom meia, quem sabe um atacante ou em último caso, zagueiro. A posição não importava muito naquela época, estando dentro de campo, já era o suficiente. Antes de abandonar o sonho, eu treinei muito, jogando todos os dias e fazendo esforços absurdos para adquirir a forma física necessária para realizar aquele que era até então, o meu maior sonho. O que posso dizer é que aquela cidade tinha grandes jogadores. Era incrível como eu estava longe de chegar aos pés dos melhores. Mas se eles não iam fazer o teste comigo, era prova de que minhas chances continuariam grandes. Até porque, eu imaginava que no longínquo Estado de Minas Gerais, não deveria existir jogadores tão bons quanto os de Tucumã. E eu obviamente fazia parte dos bons. Ou deduzia que sim.
O último ano que vivi por lá, eu dividi com aqueles que acreditavam no meu sonho e se dedicavam com afinco a fazer com que eu conseguisse realizá-lo. Usei o salário que recebia de um laboratório de análises clínicas e comprei um jogo de camisas e calções para disputar o campeonato que me prepararia de vez para a “peneira” do Coelho.
Infelizmente eu não consigo me lembrar do nome de todos os jogadores que fazia parte do meu time, mas tenho guardado o nome dos meus amigos que faziam parte daquele time. Além do preparo psicológico, tínhamos como principal objetivo, ganhar aquele importante campeonato. E se não me falha a memória, nosso time era o único que tinha um jogo de camisa e calções. Os demais, no máximo, camisas das mesmas cores, quando não usavam o método tradicional de “com” e “sem” camisa para distingui-los. Como não poderia deixar de ser, fizemos questão de contratar um ou dois jogadores mais experientes que fossem capazes de segurar o jogo e saber dar aquela catimba necessária em determinados momentos do jogo. Os reforços, vieram da Vila dos Apertadinhos, uma espécie de La Boca de Tucumã, um bairro que respirava o futebol, tal qual o bairro argentino. Não ganharam nada mais do que o direito de vestir aquelas camisas novinhas, mas a vestiram com toda a honra do mundo.
O campeonato era todo disputado em um único dia. Começava geralmente às 9 a manhã e só haveria de terminar às 6 da tarde. Uma verdadeira maratona para os que conseguissem chegar à grande final. Obviamente a duração da partida não atingia seus tradicionais 90 minutos, mas tinha a duração necessária para que os melhores passassem adiante.
Me lembro que disputamos umas quatro partidas até chegarmos à grande final, que não poderia ser diferente, trazia a grande força de Tucumã: A Vila dos Apertadinhos.
Não me lembro bem de alguns detalhes, exceto que comecei jogando e que tínhamos um técnico que encontramos lá na hora e que começou a passar orientações para os jogadores. Tomei minha posição em campo e logo no começo, depois de uma belíssima triangulação do nosso meio campo, a rede do adversário foi estufada, ou melhor, o espaço do gol, já que não tínhamos redes nos gols. O melhor de se marcar o gol é que a demora em buscar a bola no meio do pasto fazia com que o relógio trabalhasse a nosso favor. Apesar da vantagem, sabíamos que era necessário manter a atenção no jogo e não desgrudar do rápido ataque deles. Definitivamente não podíamos acreditar que estávamos enfrentando o adversário mais forte daquele campeonato quando no finalzinho do primeiro tempo, nosso time conseguiu o 2 a 0. Fomos para o rápido intervalo com aquele título na cabeça. Não era imbatível o time que todos temiam, não éramos piores por termos conseguido a nossa classificação de maneira dramática, com gol no último minuto e antes da semi-final através de uma disputa de penalidades. Não importava como tínhamos chegado até ali, fato é que estávamos ganhando e agora faltava pouco para sermos os campeões. Mas ainda faltava um tempo, e não podíamos perder a concentração. Pra isso, bastava jogar com a mesma disposição, com a mesma garra. Além do mais, os jogadores que havíamos buscado, conheciam o adversário como ninguém. Já haviam jogado juntos por diversas vezes, era fácil saber as jogadas principais e as características individuais de cada jogador. Voltamos para o segundo tempo dispostos a liquidar o jogo e não fosse o goleiro deles, teríamos feito isso no primeiro minuto de jogo. Mas o que dava certo no primeiro tempo, começava a não funcionar no segundo. A nossa segunda chance de gol parou na trave, e a essa altura eu assistia tudo de fora, havia sido substituído no intervalo e agora experimentava a emoção de sair vencendo qualquer que fosse o resultado final do jogo. Afinal, eu havia deixado o campo com um resultado favorável. Se nosso time vencesse, eu teria colaborado. Se perdesse, eu não seria o culpado. Algo bem próximo do que ousaria classificar de covardia hoje em dia. Mas, eu era só um garoto que almejava ser jogador do América-MG e estava prestes a ganhar meu primeiro título...
2 comentários:
Que ódio. Outro dia fiz um comentário gigantesco aqui e qnd fui confirmar, deu erro e perdi tudo. Vamos ver se dessa vez vai.
Cara, qnd vc disse q tinha histórias de Tucumã que nao conhecíamos, achei q estivesse blefando. Vc ja nos contou tanta coisa sobre esse lugar q pensei q soubessemos tudo. Mas de fato vc tinha cartas na manga. E uma história fantástica, por sinal.
Mas vem cá, América Mineiro? Jogam alguma coisa lá além de bocha? Se ao menos fosse o Atlético.. Mas blz.
Interessante perceber como o Brasil é parecido, de norte a sul. Como todos temos meio que os mesmos sonhos, as mesmas aventuras e desventuras.
E agora tb fica explicado pq vc é sempre o melhor da flechinha, treinando desse jeito.
Afinal, eles viraram ou nao?
Gostei muito da foto.
Detone.
simpatizei com esse boca de tucumã :) mas acho que o time não entrou para a elite do futebol por causa do nome. vila dos apertadinhos, sinceramente... nem o mais puxa-saco dos compositores conseguiria juntar rima e glória à palavra "apertadinhos". hehehe.
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